terça-feira, 15 de julho de 2014

No ar

       

  
   O ano findava. A cidade vestia-se de luzes para  receber o que ainda se encontrava  no “ventre das expectativas”.  Nada pior que  a  obrigação de ser feliz...  Sentada na areia, esperava o abraço das ondas. Alheia a tudo, nada planejava. Os versos da canção boiando na mente: “O amor não é mais do que o ato/ de a gente ficar/no ar antes de mergulhar”...

     A praia fervia, cintilava, como se à vida bastasse a claridade da hora. Só não se ouviam as vozes do mar. Foi quando, desprevenida, fitou  aqueles olhos cheios de candura e promessas.

    Ele, inquieto, surpreso, sorriu.


    Ela o  contemplou, fascinada, séria.


    As retinas flamejaram. Não acreditavam naquilo e tudo se desenrolava como um filme em câmara lenta... o dia em que se conheceram : cores e carnaval, as tardes de batucada, os beijos sabendo a café,  a troca de vinis, as músicas dedicadas, os desencontros, os bilhetes pela casa... vestígios do que, um dia, fora eterno.

  Pediam-se com uma urgência que não tinham. Repeliam-se com um encabulamento que não lhes pertencia...
 Amavam-se, sabiam. Amavam-se na segura distância de um olhar.

2 comentários:

  1. Maravilhoso saber que agora poderemos sempre curtir textos meigos e inteligentes. Que venha o próximo!!!!!!!

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