O ano findava. A cidade vestia-se de luzes para receber o que ainda se encontrava no “ventre das expectativas”. Nada pior que a obrigação de ser feliz... Sentada na areia, esperava o abraço das ondas. Alheia a tudo, nada planejava. Os versos da canção boiando na mente: “O amor não é mais do que o ato/ de a gente ficar/no ar antes de mergulhar”...
A praia fervia, cintilava, como se à vida
bastasse a claridade da hora. Só não se ouviam as vozes do mar. Foi quando,
desprevenida, fitou aqueles olhos cheios de candura e promessas.
Ele, inquieto, surpreso, sorriu.
Ela o contemplou, fascinada, séria.
As retinas flamejaram. Não acreditavam naquilo e
tudo se desenrolava como um filme em câmara lenta... o dia em que se conheceram
: cores e carnaval, as tardes de batucada, os beijos sabendo a café, a
troca de vinis, as músicas dedicadas, os desencontros, os bilhetes pela casa...
vestígios do que, um dia, fora eterno.
Pediam-se com uma urgência que não tinham.
Repeliam-se com um encabulamento que não lhes pertencia...
Amavam-se, sabiam. Amavam-se na segura distância
de um olhar.
